Georges Martin

 

GEORGES MARTIN - FUNDADOR DA OMMILDH

 

Se Maria Deraismes foi, pela sua iniciação, a âncora da maçonaria feminina, Georges Martin foi verdadeiramente o construtor da maçonaria mista e criador da Ordem Internacional. Suas qualidades próprias e seus compromissos pessoais de cidadão não poderiam senão conduzi-lo a uma atividade ousada e eficaz na Franco-Maçonaria.

Georges Martin nasceu em 09 de maio de 1844 em Paris, mas com raízes na Solonha (França). Filho de um pai farmacêutico, foi instruído entre os Jesuítas. Aluno brilhante, ele rapidamente inquietou seus mestres por sua falta de docilidade e de suas idéias revolucionarias, entre as quais enaltecendo a igualdade do homem e da mulher.

Laureado com o bacharelado em letras em 1861, e depois em ciências em 1863, ele se consagrou aos estudos da medicina por necessidade de se devotar aos outros. Paralelamente, ele se lançou na vida pública. Propagandista infatigável e devoto dos ideais republicanos, pregava a ação e o exemplo. Foi durante este período que ele se juntou a Garibaldi, em 1866, na Itália.

Retornando à França, ele retomou seus estudos de medicina em Montpellier, e depois em Paris, onde obteve, em 1870, o título de Doutor em Medicina. Lá ele exerceu seu ofício durante dez anos e mereceu o nome de “médico dos pobres”, esquecendo freqüentemente o pagamento de seus honorários.

Homem de ação, ele aplicava suas idéias liberais e republicanas:
- Em 1866, ele cria o serviço sanitário.
- Em 1874, é eleito para o Conselho Municipal de Paris, sendo reeleito por três mandatos.
- Foi então nomeado para o Conselho de Fiscalização da Assistência Pública e lá propõe numerosas reformas.
- Em 1884, é eleito presidente do Conselho Geral do Sena, e em 1885, senador desse mesmo departamento.
- Nos anos 1890, depois de um fracasso eleitoral, deixa Paris para retornar à sua propriedade em Lamotte Beuvron, em Loir e Cher.
- Em 1897, é eleito para o Conselho Geral em seu cantão e reeleito até sua morte.

Georges Martin era ateu, racionalista, e respeitoso das crenças dos outros. Todavia, permaneceu crítico face às religiões, as quais ele pensava que eram apenas uma ferramenta de divisão entre os homens. Defendeu suas idéias para o triunfo da Verdade, que ele chamava de Justiça. Não é preciso, pois, espantar-se quando, paralelamente, ele se investiu na Franco-Maçonaria. Foi iniciado na Loja União e Beneficência, no Rito Escocês Antigo e Aceito, mas estava convencido que a Maçonaria não podia ser construtiva se não introduzisse nela as mulheres.

Tentou primeiro fazer evoluir a Maçonaria masculina. Por muito tempo ele adquiriu a confiança das Lojas masculinas para empreender a iniciação das mulheres. No entanto, após os problemas causados na Loja “Les Libres Penseurs”, de Pecq, pela iniciação de Maria Deraismes, ele compreendeu que é preciso criar algo de novo. Trabalhando sem relaxar, sua tenacidade e sua vontade acabarão por triunfar sobre os obstáculos.

Com Maria Deraismes, ele criou a Grande Loja Simbólica Escocesa “Le Droit Humain”, em 1893, com a ajuda das primeiras mulheres que ele regularmente iniciou, entre as quais Marie-Georges Martin, com quem casou em 1889. Ele não queria tomar a direção desta primeira Loja, nem a presidência da Ordem Maçônica, para a qual ele verdadeiramente contribuiu, mas, nos dois casos, ele foi um Orador notável.

Sua obstinação lhe permitiu manter e desenvolver esta estrutura graças às suas qualidades de organização, suas convicções e, sem dúvida, seu caráter apaixonado por belas causas.

O casal Martin não teve filhos, e assim, Georges Martin decidiu doar sua fortuna após a venda de seu hotel particular parisiense e de sua residência de campanha para a construção da casa de “Le Droit Humain”, sede da Ordem, na rua Jules Breton n° 5, em Paris, onde morreu em outubro de 1916, num pequeno apartamento reservado a ele.