O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO

22/07/2014 22:45
Peça de  arquitetura apresentada na A . '.R. '.L."Le Passeurs de Gue" no 1669
 
Grão Mestre de Honra da Ordem "Le Droit Hiimain "
 
Bulletin International du “Le Droit Humain”
 
Njordour P. Njardvik
 
  Or∴de Lyon 02/09/2002
 
2o semester 2002 – no 22
 
 
"A sabedoria está ligada à apreensão intelectual das coisas eternas".
 
 
Começo  com  a  citação  de  Santo  Agostinho  porque  ela  contém  integralmente  a 
 
questão  Maçônica  quanto  a  verdade,  que  requer  tanto  conhecimento  quanto 
 
sabedoria e lida com as coisas temporais e eternas. 
 
A  palavra  chave  é  apreensão,  a  necessidade  e  a  boa  vontade  para  a 
 
Pode  se  encontrar  aí  a  base  para  a  tendência  lamentável  da  divisão  no  seio  da 
 
nossa  Ordem:  a  tendência  de  privilegiar  um  aspecto  da  procura  pela  verdade 
 
e, mais ou menos, ignorar  a outra. Esta infeliz divisão  entre  aqueles que, numa 
 
grande generalização, são chamados crentes e não crentes; ou, se preferir, numa 
 
generalização ainda maior: divisão entre religião e ateísmo.
 
Como  todos  os  Membros  sabem,  assim  espero,  nossas  Lojas  são  livres  para 
 
trabalhar  “À  Gloria  do  Grande  Arquiteto  do  Universo  e/ou  à  Perfeição  da 
 
Humanidade”. O Supremo Conselho, órgão dirigente de nossa Ordem, ao qual “ é 
 
confiada a conservação dos princípios da Ordem” (Constituição Internacional) usa 
 
os dois termos na cerimonia de consagração ao 33o grau.
 
Parece  que  algumas  Lojas  que  escolheram  trabalhar  apenas  “À  Perfeição  da 
 
Humanidade”  o  fazem  porque  elas  têm  a  noção  de  que  o  termo  “GRANDE 
 
ARQUITETO  DO  UNIVERSO”  está  diretamente  relacionado  à  Deus  e,  por 
 
consequência,  indica  uma  tendência  religiosa,  à  qual  não  estão  prontos  para 
 
aceitarem. É claro que têm todo o direito disto, mas deveriam ter maior tolerância 
 
e  respeito  àqueles  que  pensam  de maneira  diversa.   A mesma  atitude  aplica-se 
 
aos que escolheram trabalhar “À  Gloria do Grande Arquiteto do Universo".  
 
Algumas  vezes  tem-se  a  noção  de  que  na  Maçonaria  não  há  espaço  para  os 
 
não  crentes.  E  é  fato  sabido  que  há  Obediências  Maçônicas  que  praticam  tal 
 
tolerância.    Sabemos  que  a  Franco Maçonaria  nasceu  da  tradição  Judaico-Cristã 
 
da  Europa  Ocidental,  e  que  numerosos  símbolos  Maçônicos  estão  diretamente 
 
relacionados com várias partes da Bíblia, particularmente o Antigo Testamento. 
 
Também  sabemos  que  originalmente  o  termo  Grande  Arquiteto  do  Universo 
 
refere-se à Deus.  Então, porque não usar a palavra Deus pura e simplesmente? 
 
Há mais de uma razão para isto:
 
Temos  uma  ilustração,  na  Bíblia  de  1250  que  mostra  Deus  como  um  Homem 
 
segurando  um  compasso.  Há  também  a  celebre  pintura  de  Willean  Blake 
 
com  o  mesmo  motivo.  Isso  não  necessariamente  indica  um  arquiteto,  pode 
 
significar  um  Geômetra.  A  Geometria  tem  um  papel  importante  no  simbolismo 
 
maçônico,  originado,  talvez,  da  antiga  crença  de  que  os  símbolos  geométricos 
 
têm efeitos mágicos. A geometria é  também a base da arquitetura, e  todos nós 
 
já  vivenciamos  que  a  beleza  das  proporções  harmônicas  e  perfeitas  podem  ser 
 
quase hipnóticas. Há uma antiga crença de que tais proporções podem invocar a 
 
presença de Deus.
 
Durante  séculos,  o  pensamento  liberal  encontrou  refúgio  da  tirania  da  doutrina 
 
imposta,  nas  lojas maçônicas.  A  ideia  era  unir  homens  de  tendências  diferentes 
 
em um foro de diálogo e compreensão mútua. 
 
O  termo  maçônico    “Grande  Arquiteto”  -  no  conceito  de  Deus  -  foi  retirado  do 
 
contexto de uma  religião dogmática e colocado numa interpretação individual, o 
 
que, de certa maneira, é ao mesmo tempo extraordinária e revolucionária para o 
 
pensamento geral da época. 
 
O  passo  que  abandona  a  crença  obrigatória  em  Deus  somente  foi  dado  na 
 
convenção do Grande Oriente de França, em 1877 que, como é bem conhecido, 
 
causou grande tumulto no mundo maçônico. É interessante notar que atrás dessa 
 
proposta  estava  o  Irmão  Fredéric Desmons,  que  era  um  Pastor  Protestante. No 
 
mais,  pela  votação  desta  mudança  radical,  os  Irmãos  acreditaram  que  estavam 
 
retornando ao espírito liberal da constituição de Anderson original de 1723, antes 
 
de ser modificada em 1738.
 
Devido  à  toda  esta  antiga  história,  devemos  nos  perguntar  o  que  hoje  isto 
 
significa  para  nós,  nosso  trabalho  em  Loja,  nosso  esforço  de  viver  o  espírito 
 
maçônico  e  os  seus  ideais.  Importante  ressaltar  que  “Le  Droit  Humain”  não  é 
 
nem  pró  nem  contra  a  religião.  Temos  rituais  onde  não  há  menção  ao  Grande 
 
Arquiteto  do  Universo,  assim  como  temos  rituais  onde  não  apenas  o  termo  é 
 
empregado,  mas  também  a  palavra  Deus  é  diretamente  utilizada.  Ao  mesmo 
 
tempo  o  ritual  diz  que  na  Loja  tudo  é  simbólico.  Isto  significa  que  a  palavra 
 
“Deus”  também  pode  ser  considerada  um  símbolo  e,  consequentemente,  está 
 
ligada à livre interpretação.
 
Para  mim,  pessoalmente,  ser  maçom  requer  ter  uma  mente  aberta.  Nossa 
 
constituição  internacional  estipula  que  nosso  propósito  é  buscar  a  verdade, 
 
verdade  com  letra  maiúscula,  que  entendo  como  a  verdade  em  si  mesma,  a 
 
verdade  suprema.  Também  é  uma  declaração  que  indica  que  nós  ainda  não 
 
a  encontramos.  Eu  não  sou  religioso,  não  acredito  em  nenhuma  organização 
 
religiosa,  porém me    interesso  por  religiões  (insisto  na  forma  plural).  Não  creio 
 
que  as  religiões  possam  me  aproximar  da  verdade  que  procuro,  mas  creio  que 
 
as  religiões me podem dizer muito sobre o pensamento humano,  tanto como os 
 
homens  têm  tentado  compreender  o  que  talvez  não  possa  ser  compreendido, 
 
quanto como os ideais sagrados foram desviados para controlar o pensamento e 
 
o comportamento humano.
 
O  escritor  grego  Nicos  Kazantzakis  escreve  em  seu  célebre  romance  Zorba 
 
o  Grego  “nas  religiões  que  perderam  sua  centelha  criativa,  os  deuses, 
 
eventualmente,  tornaram-se  nada mais  do  que motivos  poéticos  ou  ornamentos 
 
para decorar a solidão humana e suas paredes”.
 
Consequentemente,  hoje  o  conceito  de  Deus  tem  pouco  significado.  Isto  é 
 
percebido  pelo  público  em  geral,  de  modo  convencional,  pois  ele  não  está 
 
particularmente  preocupado  com  a  religião.  Assim,  não  precisamos  ficar  tão 
 
assustados  com  palavra  Deus.  No  entanto,  uma  religião  organizada  (com  a 
 
exceção,  talvez,  do  Budismo),  a  meu  ver,  tem  dois  problemas,  que  de  certa 
 
forma, é apenas um e o mesmo. Em uma organização religiosa, até certo ponto, 
 
tudo  está  decidido,  tanto  a  definição  de  Deus  e  o  modo  de  servi-lo,  como  as 
 
regras do comportamento humano. De certa  forma, o  tempo e a evolução  ficam 
 
estáticos. Portanto, devo concordar com Jiddu Kristnamurt quando diz que:
 
“a  religião  é  o  pensamento  congelado  dos  homens,  e  é  por  isso  que  eles 
 
constroem templos”. (Observer 22/04/1928).
 
Também  concordo  com  ele  quando  declara  que:  “a  verdade  é  um  reino  sem 
 
caminhos,  e  é  impossível  aproximar-se  dela  por  algum  caminho,  por  alguma 
 
religião, por alguma seita”. Discurso feito na Holanda, em 03/08/1929.
 
Agora,  lembremo-nos,  como  maçons  de  mentes  abertas  que  somos,  que  o 
 
conceito  de  Deus,  ou  se  desejarem,  de  um  tipo  de  criador,  é  uma  coisa,  e  de 
 
religião  é  outra  coisa.  Uma  religião  organizada  não  começa  com  o  conceito  de 
 
Deus,  mas  pela  definição  de    Deus  e  pela  criação  do  credo  ou  dogmas.  Então, 
 
por  um  momento,  consideremos  alguns  aspectos  da  concepção  de  Deus.  Tomo 
 
a liberdade para fazer uma livre referencia ao livro “The mind of god” (O Espírito 
 
de  Deus,  ou,  A  Alma  de  Deus)  de  Paul  Davis,  professor  de  física  e matemática 
 
da universidade de Adelaide, Austrália, que, em minha opinião, escreveu sobre a 
 
matéria com mais sensibilidade que a maioria dos escritores contemporâneos. Ele 
 
afirma em seu prefácio que não é adepto a nenhuma  religião  tradicional e nega 
 
que  o  universo  advém  de  um mero  acidente  sem  nenhum  propósito.  Com  uma 
 
espantosa  ingenuidade  ele  mostra  que  deve  haver  uma  explicação  profunda  e 
 
conclui dizendo: “se alguém quiser chamar este nível mais profundo de Deus, isto 
 
é uma questão de gosto e definição”.
 
Falamos  do  universo  e  de  nosso  mundo  como  se  ele  fosse  racional,  querendo 
 
dizer que ele tem ordem, que não é um Caos e que é regido por leis.   Algumas 
 
delas  já  conhecemos  outras  ainda  não  compreendemos,  no  entanto,  algumas 
 
pessoas se dizem sabedoras de todas as respostas. 
 
Uma  das  leis  tem  o  nome  de  “lei  da  relação  causal”.    Uma  vidraça  se  quebra 
 
porque uma pedra é atirada nela. A pedra é atirada porque alguém a pegou por 
 
alguma razão. A pedra não para no vidro da janela, ela a atravessa, e no quarto 
 
bate em alguma coisa, talvez em uma pessoa, que reage de certa maneira, e que 
 
pode afetar outra pessoa, e assim por diante. Este é o significado fundamental da 
 
palavra karma, a lei de causa e efeito.
 
Relaciona-se  com  a  lei  da  relação  causal  o  conceito  de  determinismo  o  qual 
 
compreende que a situação do mundo num instante é o bastante para consertar 
 
sua situação num instante futuro; é o mesmo que dizer que tudo que acontece no 
 
universo no futuro está determinado pelo momento presente. 
 
De  acordo  com  a  lei  da  mecânica  de  Newton,  a  posição  e  a  velocidade  dos 
 
planetas  no  sistema  solar  num  dado  momento  podem  determinar  seus 
 
movimentos no futuro. Isto quer dizer que todos os eventos estão presos a uma 
 
matriz de causa e efeito. Ilya Grigogine (em seu livro “the rediscovery of time” – a 
 
redescoberta do tempo) diz que, sendo assim, Deus fica reduzido a um arquivista 
 
que vira as páginas de um livro de história cósmica, já escrito.
 
Diante de tudo isto uma questão se levanta: se o universo foi criado do nada. 
 
A doutrina judaico-cristã nos conta que o universo tem uma origem, um começo, 
 
e  foi  criado  por  um Deus  personificado  e  eterno,  que  está  totalmente  separado 
 
e  independente  de  sua  criação.  Assim  ele  fica  fora  do  tempo  e  da  matéria,  e 
 
mantem e sustenta a criação continuamente. Aos olhos de Deus não há distinção 
 
entre a criação e a preservação. Este é um Deus ativo que se mantém envolvido 
 
diretamente com a marcha do mundo. Isto é chamado Teísmo. 
 
Em  muitas mitologias  o  cosmos  é  criado  do  caos  primordial  (cosmos  significa 
 
literalmente “ordem” e “beleza”) o que quer dizer que a matéria precede e depois 
 
é  ordenada  por  um  ato  criador  sobrenatural.  Isto  se  assemelha  com  a  doutrina 
 
gnóstico-cristã que considera a matéria como impura.
 
O  conceito  Deísta,  ao  contrario  do  Teísmo,  vê  um  criador  que  começa  o 
 
universo,  mas  que  não  toma  parte  nos  seus  problemas  subsequentes.  De 
 
certa  forma,  o  símbolo  maçônico  do  Grande  Arquiteto  do  Universo  pode  ser 
 
considerado  como  tendo  uma  caraterística  Deísta,  uma  vez  que  o  Arquiteto 
 
planeja  mais  ele  mesmo  não  constrói.  Um  criador  Deísta  deixa  a  sua  própria 
 
criação a construir-se e desenvolver-se por si mesma. 
 
Para mim, isto é uma analogia com o nosso simbolismo da Pedra que cortamos, 
 
polimos  e  nos  tornamos.  Assim,  somos  ao  mesmo  tempo  construtores  e  o 
 
material  da  construção,  erguendo  o  templo  da  humanidade  planejado  por  um 
 
Arquiteto desconhecido por nós. 
 
Temos  ainda  o  termo  Panteísmo  que  não  faz  separação  entre  Deus  e  o 
 
universo  físico.  Isto  significa  dizer  que  Deus  está  completamente  identificado 
 
com  a  natureza,  que  tudo  é  parte  de  Deus  e  Deus  é  parte  de  tudo.  Numa 
 
etapa  posterior  está  o  Panenteísmo  que  vê  tudo  como  parte  de  Deus,  e  usa 
 
a  metáfora  de  que  o  universo  é  o  corpo  de  Deus  e  o  espírito  de  Deus  a  sua 
 
Passamos  agora  ao  conceito  de  um  Deus  personificado  para  um  que  podemos 
 
chamar  de  percepção  mística,  que  indica  uma  conexão  com  todas  as  coisas  e 
 
requer  uma  viagem  interior  através  de  emoções  e  pensamentos  para  um  lugar 
 
tranquilo  onde  se  pode  encontrar  o  centro  mais  profundo  da  própria  existência 
 
e, assim, conectar-se com a essência da vida. Em tal estágio a questão de Deus 
 
torna-se  irrelevante,  e,  como  sabemos,  numa  religião  como  o  Budismo  não  há 
 
uma concepção de Deus.
 
Finalmente há vários cientistas que propuseram a  teoria de um Deus que evolui 
 
dentro do universo onde a vida inteligente “torna-se gradualmente mais evoluída 
 
e espalha-se através do cosmos, ganhando controle cada vez maior e em maiores 
 
proporções até que a manipulação da matéria e da energia seja tão perfeita que 
 
esta inteligência seja indistinta da própria natureza”  (The mind of God- O espírito 
 
Espero  que  agora  esteja  evidente  que  uma  pessoa  com  a  mente  aberta  não 
 
deve  tirar conclusões simplistas quando ouvir ou ler a palavra Deus. Deus não é 
 
uma  propriedade  da  Igreja  Católica  Romana  nem  de  qualquer  outra  Instituição. 
 
Ninguém  tem  o  direito  de  definir Deus  e  ninguém  sabe  se  existe  tal  fenômeno. 
 
Nem  a  existência  nem  a  não  existência  de  Deus  pode  ser  confirmada.  Pode-
se  escolher  acreditar  ou  não.  Mas  é  muito  irrelevante  o  que  nós  acreditamos. 
 
Somente é relevante aquilo que é. Como não sabemos o que realmente é, nossa 
 
procura pela verdade continua. 
 
Não deixemos que nossos preconceitos limitem as possibilidades de nossa busca. 
 
Temos  espaço  para  ambos,  para  os  que  creem  e  para  os  que  não  creem.  Na 
 
língua  inglesa  há  uma  distinção  entre  crença  e  fé.  De  acordo  com  o  teólogo 
 
Alemão  Paul  Tillich:  “a  fé  é  um modo  de  ser  que  concerne  apenas  ao  próprio”. 
 
Isto é o que realmente importa na Franco Maçonaria – ser concernente apenas ao 
 
próprio – manter-se atento e alerta e continuar a questionar.
 
Pessoalmente,  a  questão  fundamental  não  é  realmente  sobre  Deus,  apesar 
 
de  se  poder  dizer  assim,  ou  pelo  menos  não  sobre  um  Deus  personificado.  A 
 
palavra Deus não me ofende de modo algum. A questão deve relacionar-se com a 
 
energia, como a essência da matéria. O filósofo grego Heráclito disse em um dos 
 
seus  Fragmentos  que  foram  conservados:  “todas  as  coisas  se  transformam  em 
 
fogo, e o fogo, exaurido, retorna sobre todas as coisas”.
 
E  Einstein  concordou.  Para  ele  tudo  se  transforma  num  fluxo  de  energia,  em 
 
relatividade.  Foi-nos  dito  que  o  universo  começou  com  a  grande  explosão  (big-
bang).  Nunca  foi  explicado  de  onde  veio  a  energia  aplicada  para  gerar  esta 
 
gigantesca explosão. 
 
A grande pergunta deve ser sobre esta poderosa fonte de energia.
 
Termino estas reflexões citando a frase de conclusão do célebre livro “Uma breve 
 
história do Tempo” do  famoso astrônomo Stephen Hawking:  “se descobrirmos a 
 
teoria  inteira,  seu  grande  principio  deve  ser  entendido  por  todos,  e  não  apenas 
 
por  uns  poucos  cientistas.  Então  devemos  todos,  filósofos,  cientistas  e  pessoas 
 
comuns, sermos capazes de tomar parte na discussão: por que nós existimos, por 
 
que  o  universo  existe?  Se  encontrarmos  a  respostas  para  estas  perguntas  será 
 
o  grande  triunfo  da  razão  humana  –  então  iremos  verdadeiramente  conhecer  o 
 
Espírito de Deus”.